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PARTO: O ACONTECIMENTO QUE TRANSFORMA AS HISTÓRIAS DE VIDA

Atualizado: 21 de Jun de 2019

Parir com consciência


Porque a natureza feminina sabe parir e os bebês sabem nascer.

Porque tudo foi criado para ser perfeito.


Permitir-se ao autoconhecimento na gestação é a forma mais respeitosa de trazer uma vida ao mundo. A proteção maternal começa na coragem de se ver, se enfrentar e se superar. E nesse processo, acolher-se é lindo e traz alívio. Um alívio que seu bebê reconhecerá prontamente e transformará na serenidade que o acompanhará ao longo desta existência.




Postura facilitadora para as reflexões deste texto:


Tenho consciência do que um parto representa na vida da mãe e do seu bebê. Desejo um nascimento respeitoso e que a minha criança não sofra desnecessariamente. Estou disposta a aprender para dar o meu melhor.




Quando pensamos no que acontece com um óvulo depois de fecundado, quase não podemos acreditar que todas as subdivisões celulares e reações químicas microscópicas dão origem a um bebê. Mais do que isso, é difícil imaginar que dentro daquela criança existam incontáveis sistemas funcionando de forma perfeitamente sincronizada. As sinapses, a nutrição das células, a respiração [tão vital quanto sutil], o sangue que circula sem parar,... são tantos detalhes, tantos minúsculos detalhes que mantém aquela nova vida! Como é possível?


A forma como os bebês passam a existir é inquestionavelmente milagrosa.


Toda matéria necessária à formação daquele corpinho é extraída do corpo da mãe. Ainda que não pense sobre isso, ela se doa integralmente para a completa formação de um novo ser.


Enquanto se desdobra num novo alguém, o corpo dela também vai se modificando. Ele está sendo preparado para um acontecimento transformador: o parto. Seus órgãos se acomodam de um jeito diferente para dar espaço ao bebê que cresce a cada instante. Seus ossos mudam de posição para dar passagem à criança no momento do nascimento. Seus tecidos passam a acumular o que em breve se tornará leite. Muitos hormônios entram em atividade para deixar tudo pronto para o grande momento do nascimento.


Fisicamente está tudo cuidado pela Grande Mãe, afinal, é mais um filho seu prestes a chegar ao planeta.


Diferente do que se acredita, o parto não é um evento exclusivamente físico. Na verdade, a parte física é a mais simples. O nascimento de um bebê é um evento holístico, que integra todos os aspectos da existência humana: físico, emocional, mental e espiritual.


Ao olhar para o físico, vemos a inteligência da Força da Criação agindo. Tudo foi previamente pensado pela Grande Mãe para que o corpo da mulher funcionasse perfeitamente, do início ao fim: o óvulo amadurece e aceita um espermatozoide; o sangue da mãe nutre cada reação química do bebê; o tempo passa, a criança cresce; tudo na mãe se amplia: barriga, quadril, seios; a expansão chega ao seu limite, a barriga pesa e tudo conspira para um grande e providencial cansaço. Só ele, o “grande cansaço”, fará a mulher desejar verdadeiramente que o seu estado mude. Mas para mudar, para o cansaço não ser mais daquele jeito, terá que enfrentar o parto. Ela, então, aceita. Sabe que se trata de algo com começo, meio e fim. Não dá para ficar inacabado. O bebê precisa nascer e ele nascerá! A Grande Mãe preparou esse momento com detalhes muito especiais.


Os primeiros sinais surgem. A mãe sente que é a sua hora. Sua criança deseja vir. A barriga endurece, as dores vão surgindo. Ora embaixo [na região pélvica], ora nas costas, ora em todos os lugares. O medo se confunde com incontáveis sentimentos e sensações. Depois some. Ou não. Tudo se intensifica de tal maneira que a entrega é inevitável. Não é mais possível pensar, apenas sentir. A conexão com o que existe de maior no universo está agindo em nós para deixarmos acontecer, deixar vir para nós ao mesmo tempo em que deixamos ir de dentro de nós. É lindo! E nos faz tão fortes! Somos envolvidas por um amor infinito. E amamos profunda e incondicionalmente nesse momento. Estamos nos transformando em mães no exato instante em que deixamos de ser apenas filhas. Nosso bebê está fazendo isso por nós. E ele chega!


Quando pensamos no início da vida da nossa criança, desejamos que seja perfeita. Que venha com saúde, que seja linda,... Desejamos muitas coisas. Quando alcançamos um pouco de consciência, desejamos que o início da vida do nosso bebê aconteça de forma respeitosa, pois sabemos que isso definirá a qualidade daquela vida tão importante para nós.


O início de vida mais respeitoso que podemos oferecer ao nosso bebê é estar plenamente conscientes de nós. Desde o momento da fecundação, nos doamos de tal forma que algo mágico acontece: ao mesmo tempo em que nos desdobramos num outro corpinho, damos origem a uma fusão completa. Essa fusão permanecerá por toda a vida, afinal, é a mesma matéria! Depois que o cordão umbilical é cortado, o corpo do bebê fica independente do sangue da mãe. Fisicamente há um rompimento. Mas emocionalmente não. O bebê, que na barriga sempre sentiu o que a mãe sentia, agora passará a manifestar, pois nasceu!


A mãe consciente de si assume a responsabilidade pelas suas sombras. Sabe quais são e porque passaram a existir. Sabe aonde estão e qual a sua dimensão. Sabe inclusive o tamanho do esforço necessário para superá-las. Pode sentir medo, vontade de chorar, algumas tristezas que a rondam, mas ela conhece e, principalmente, reconhece tudo isso. Não há surpresas ou ilusões. Há uma mulher com coragem suficiente para se ver. E essa coragem permite que seu bebê tenha paz. Ele não precisará manifestar a sombra da mãe porque ela já se antecipou. Uma vez conhecida, as surpresas não carecem de revelações. Os bebês fazem isso: revelam as sombras desconhecidas das mães. Mas o seu bebê não precisará, porque você se antecipou. Você se dedicou a si própria, aos seus sentimentos, às suas amarguras, ao acolhimento da sua própria dor. Ela não é maior que você, então pode ser acolhida. Pode ser inclusive abraçada: a sua versão triste é recebida, embalada e acariciada pela sua versão serena e segura. É possível se ver fazendo isso. E é aliviante!


Temos, à nossa disposição, 9 longos meses para esse [auto][re]conhecimento.


Um passo de cada vez, como quem entra no mar gelado, você vai se vendo, se reconhecendo, se aceitando, se fortalecendo para transpor. E, assim, o berço respeitoso vai sendo preparado para o seu bebê. A Grande Mãe, que a tudo preparou, está cuidando dos seus sentimentos. Mas esse é um berço que somente você pode arrumar para a sua criança. Será a sua maior e mais linda contribuição.


Não haverá porque a dilatação não se apresentar. Não haverá porque o desespero te tomar. Não haverá porque a dor ser insuportável. Nem haverá qualquer razão para qualquer outro senão. Você sabe parir e seu bebê sabe nascer. Está tudo preparado. Permitir-se é aceitar e se entregar à experiência!


Aprendemos a temer a dor sem nos dar conta de que ao ir ao seu encontro, sua intensidade diminui. Pode diminuir ao ponto de se confundir com prazer. E se isso te acontecer, não queira compreender ou explicar. A vivência estará registrada na sua alma. É silenciosa, é sua. Guarde-a!


E se nada disso te acontecer e uma cesárea se tornar seu único recurso, que seja sagrado! Que seja o percurso divino pelo qual a sua criança virá aos seus braços e ao seu peito nutridor [não só de alimento, mas também de amor].


De algum lugar deste imenso universo há mulheres ocupadas de você e do seu bebê. Elas conhecem um parto em detalhes. E, como anjos da guarda, cuidam de você quando a sua hora chega. Agradeça a elas. Reverencie. Elas vieram antes para que você pudesse estar aqui. Cada mulher que já passou por este planeta contribuiu para a nossa existência, para a nossa força, para o nosso momento. Sejamos gratas!


Nascer é divino. Parir é sagrado. Depois de um parto não somos mais as mesmas. Jamais seremos. Uma vez transformadas em mães, infinitas possibilidades nos serão apresentadas. Partimos, então, para a nossa longa jornada.


Que ela seja linda!


Que sejamos todas capazes!


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