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PRIMEIRA INFÂNCIA: A TRATATIVA HONESTA QUE DEFINIRÁ A QUALIDADE DAS RELAÇÕES SEXUAIS HUMANAS

Atualizado: 21 de Jun de 2019

Transformando a pureza em integridade

Porque tua criança nasceu pura e, pelas tuas mãos, poderá se tornar completa.

Porque você é a pessoa capaz de atravessá-la da pureza à integridade consciente.


Íntegro é o ser completo, não fracionado [dividido], não fragmenta do [quebrado], é o ser que AMA naturalmente. Todas as pessoas nascem com uma semente de “pé de amor” no coração. Se for regada, despertará, enraizará, crescerá e frutificará. Esse AMOR nutrirá as relações humanas e se potencializará na esplendorosa manifestação da sexualidade consciente.



Postura facilitadora para as reflexões deste texto:


Tenho dificuldade de falar com a minha criança sobre sexualidade por várias questões pessoais, entre elas o medo de despertar um interesse precoce, de me expor, de não saber a melhor forma de falar. Sinto que preciso de ajuda com isso.



Passado o puerpério e toda a adaptação à nova vida maternante, percebemos que a nossa criança está crescendo. Perde os traços de recém-nascido, passa a rolar na cama, fica em pé se apoiando nos móveis, engatinha, anda. De repente está comendo, tomando banho e escovando os dentes sozinha. É um avanço. Crianças com necessidades especiais podem ter outro ritmo, mas em todos os casos as coisas mudam. Em regra, percebemos que já não precisamos mais dedicar tantos cuidados como a um tempo atrás. E isso causa certo alívio.


A grande questão é que, assim como as fases foram mudando desde a concepção [gestação, parto, puerpério, engatinhar, andar, ficar minimamente independente,...], é chegado o momento de uma nova fase. Mas qual? Que fase é essa?


Os primeiros cuidados foram físicos e isso é absolutamente visível. Mas os próximos cuidados não são tão evidentes assim. Parece que ao alcançar certa independência a criança finalmente nos dá uma espécie de “férias”. A dedicação foi tão intensa nos primeiros anos que, enfim, poderemos olhar mais para nós novamente. Até porque a adolescência “não será nada fácil” e “merecemos” esse tempo de calmaria, no qual os problemas com as crianças costumam ser mais leves do que na puberdade.


Muitas manifestações das crianças entre 3 e 7 anos [ou mais] são tratadas de forma superficial. Não se costuma dar a devida atenção porque normalmente demandam muito, pedem tudo, emburram mais facilmente e esquecem mais rápido também. Já que vai passar, deixa passar! Quando não passa, aí se vê o que pode ser feito! O “problema” é que é nessa fase que surgem as manifestações e indagações a respeito da sexualidade. Manifestam se descobrindo [se tocando mesmo]. Indagam sobre o que observam, sentem ou ouvem.


Acomodadas em uma zona de conforto, acabamos por “relaxar” numa fase crucial. Se desejamos adolescentes sexualmente seguros, conscientes e responsáveis, o trabalho de construção dessas qualidades precisa acontecer na primeira infância. Não podemos esperar que a adolescência se aproxime para somente então perceber que perdemos o grande momento de agir.


Toda criança nasce pura. Nasce também com uma índole. Não é algo que se constrói no ventre. Por alguma razão, a criança já nasce com ela. É uma manifestação da sua alma, do seu espírito. Assim também acontece com os seus dons. Muito do que um filho ou filha manifestará ao longo da vida já nasce pronto. Cabe à mãe criar condições para que seus potenciais natos possam aflorar. Para isso, é preciso cuidar daquele corpinho desde a origem, ainda no ventre. Também é preciso cuidar daquelas emoções, auxiliando nas superações pessoais. Mas há algo muito peculiar que a mãe precisa fazer... Precisa ensinar a sua criança a PENSAR, porque disso depende o que ela irá SENTIR.


Como se ensina alguém a pensar? Não é óbvio que a pessoa “simplesmente pense”, sem pensar que está pensando? Não é algo mecânico, automático, involuntário? NÃO!


A mãe que compreender a importância de ensinar uma nova vida a pensar garantirá um futuro esplendoroso para a sua criança. Porque quando se pensa de forma consciente, os sentimentos são construtivos, de frequência elevada e, assim, permeiam o amor.


Ensinar um filho a pensar é preparar um solo fértil para bons sentimentos; é ensiná-lo a AMAR. Porque só através do AMOR verdadeiras e profundas transformações serão alcançadas.


Vivemos num tempo em que as relações amorosas sofreram muitas mudanças. Antes, amávamos pessoas e usávamos coisas. Hoje, amamos as coisas e usamos as pessoas. Uma geração que ama coisas e usa pessoas não permanece íntegra. Está, portanto, quebrada, dividida, incompleta. É dessa forma, incompletos e amando coisas, que nossos filhos iniciam suas experiências sexuais.


Amor, completude e bons sentimentos estão cada vez mais distantes dos seres humanos. Não todos, mas uma parcela expressiva da humanidade não tem sido capaz de alcançar a completude, não sabe amar e, assim, não consegue expressar bons sentimentos. Mas todos, quase que sem exceção, manterão relações sexuais. Se não amam, não estão completos e tampouco sentem coisas boas, não importa! Querem sentir essas “coisas boas” e acreditam que através da sexualidade conseguirão. Assim, a humanidade segue. E perde [MUITO].


Como nos tornamos alheios ao amor? Algo básico nos faltou e nossa mãe não percebeu.


Quando as mães não percebem, elas não agem. Quando não sabem como agir, fazem de conta que não percebem. Mas há as que não querem perceber para não ter que pensar em como agir. Assim como a humanidade, as crianças seguem e perdem [muito].


Quando nos dedicamos a conscientizar um ser humano, o fazemos ao longo da vida. Se a criança pergunta é porque quer saber. Se despertou para certa curiosidade é função da mãe voltar-se e olhar em seus olhos. Ainda que não saiba o que dizer, a honestidade precisa estar presente e a criança precisa senti-la.


A ausência de honestidade pode colocar tudo a perder. Tudo o que? A confiança!


Cada vez mais cedo concorremos com o celular. Ele tem todas as respostas que não damos. De alguma forma elas chegarão. E como é triste quando a resposta chega de um jeito “sem-jeito”. Quando invade a nossa criança que ainda não estava preparada. Sim, nós não a preparamos. Ela não estava pronta e a resposta chegou. E foi brutal. Ou foi nojenta. Ou foi promíscua. Pode calar a nossa criança. Pode arrancar o seu sorriso e não devolvê-lo. Pode provocar um choque. Não é o que desejamos. Mas se não informamos, corremos esse risco. O pior: ela corre esse risco, pois estará vulnerável ao impacto.


Para protegê-la, basta falar! Basta responder o que ela perguntar. Nem mais, nem menos. Ficou satisfeita e o interesse mudou? Encerre naturalmente o assunto. Ainda está interessada? Viaje com ela no seu universo lúdico e responda. A natureza está repleta de exemplos maravilhosamente singelos sobre a sexualidade na sua melhor forma! Os animais copulam e não se escondem para isso. Tudo é feito às claras, sem reservas. É natural! É essa naturalidade que precisa chegar para a sua criança através de você, mãe! Não importa se é um menino ou uma menina. Nasceu de você? Você é a pessoa maternante responsável por ele ou ela? Então é você a pessoa a ter essas conversas. Tome posse da sexualidade da sua criança. Você é a pessoa empoderada pela Grande Mãe para essa função. Você fará a iniciação sexual dos seus filhos. Desde o nascimento tem sido assim! Se o parto foi normal, o primeiro contado do bebê foi com a sua vagina. Depois se alimentou no seu peito. Depois você tocou as partes íntimas do seu recém-nascido incontáveis vezes nas trocas de fraldas e banhos. Essa iniciação já está em andamento. Falar é uma continuidade e ela precisa acontecer.


Antes de ensinar, talvez você precise aprender para poder falar. Vamos lá! Diga: vagina, pênis, vulva, glande, copulação, coito, ereção, fecundação, óvulo, espermatozoide, útero. Talvez você precise dizer pipi no lugar de pênis, mas pode dizer “vagininha” no lugar de vagina. Dentre os muitos nomes atribuídos à genitália feminina, vagina é o ideal, pois esse é o nome dela! Vulva é a parte externa e vagina a parte interna.


Difícil dizer? Se esforce! É algo absolutamente natural! Se para você é muito difícil ou soa ridículo [ou vulgar, pornográfico, erótico, pesado], talvez seja um bom momento para refletir sobre o que te faz sentir assim.


É comum não querermos aproximar a nossa criança do universo sexual quando, para nós, ele é perverso, promíscuo ou pecaminoso,... ou seja, quando não condiz com a pureza dos nossos filhos. Se vivemos um grande trauma ou se nossas experiências sexuais não se aproximaram do sagrado, sabemos que poderão ser expostas algumas coisas sobre nós das quais não nos orgulhamos. Não desejamos reviver dores. Não desejamos nos arrepender das práticas sexuais que mantivemos ou pretendemos manter [porque gostamos], então não desejamos tocar nesse assunto com alguém que não pode saber, no caso, a nossa criança.


Como passar uma informação honesta se ela não existe para nós? Como ser verdadeira se a verdade nos envergonha? Como tornar alguém sexualmente seguro, consciente e responsável se nada disso nos pertence? Se não somos assim?


Ou então, como ensinar algo que nunca aprendemos? Algo cuja grandeza nunca compreendemos? Como fazer isso?


A proposta é de uma profunda avaliação pessoal. Conhecer-se para se compreender e se perdoar. Olhar para os caminhos sexuais percorridos: os excessos, as escolhas equivocadas, as dores, os abandonos, as violências, as promiscuidades, as negações, o pecado, o medo,...


A primeira honestidade a te povoar é essa! A consciência plena de quem você é, do que lhe aconteceu ou do que atraiu para o seu corpo e para a sua psique com as suas escolhas sexuais. A partir desse olhar real sobre si, o autoperdão passa a ser possível. Com ele, sua criança passa a ter uma chance!


Nesse processo, conseguimos compreender a importância de falar. “Ah, se tivessem falado comigo! Ah, se eu tivesse essa informação antes! Ah, se eu pudesse voltar atrás e escolher melhor! Ah, se eu pudesse ter evitado!”


Sua criança está no ponto em que você já esteve. Faça por ela. Aprenda tudo o que for preciso para que suas conversas sobre sexualidade sejam sagradas. Mostre para quem você gerou os segredos e mistérios da sexualidade. Comece pelo básico, pelo que é natural! A natureza é a uma grande escola. Mostre coelhinhos, grilos, peixes e joaninhas se reproduzindo.


Tudo o que uma criança aprender com essa leveza será natural para ela. O que chegar depois, por vias e pessoas “estranhas”, não será mais forte do que o aprendizado promovido com honestidade e amor.


Avance sem perder a pureza. Valorize o respeito, os sentimentos, a importância do outro. Ensine o amor-próprio. Afaste os meninos do machismo e as meninas do interesse material. Não queremos futuros agressores, tampouco futuras exploradoras, folgadas e sustentadas.


Desejamos seres íntegros que possam se encontrar, se amar e, ao se relacionar sexualmente, estabelecer uma troca que os eleve. Desejamos relações construtivas entre pessoas amorosas e fraternas, que promovam a paz.


Desejamos que os filhos e filhas que trouxemos ao mundo sejam livres e felizes. Serão livres dando liberdade. Darão liberdade se aprenderem o desapego. Praticarão o desapego se forem conscientes. Serão conscientes se suas mães os fizerem assim.


A Grande Mãe nos preparou para essa missão. Que saibamos honrá-la.


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