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SEGUNDA E TERCEIRA INFÂNCIA: EXPLICAÇÕES REALISTAS SOBRE SEXUALIDADE, MATERNIDADE E PATERNIDADE

Atualizado: 21 de Jun de 2019

Ensinando a doação

Porque é preciso aprender a se doar

Porque a sexualidade é a maior entrega de um ser humano e sua importância é algo que se aprende enquanto criança


Vivemos num tempo intrigante: quanto mais facilidades a vida nos apresenta, mais vazia ela fica. Tudo intenso, mas muito rápido e descartável, inclusive as relações humanas. Já não nos doamos nem mesmo aos filhos que geramos. Preenchemos a vida das nossas crianças com facilidades tecnológicas e esvaziamos de sentido! Resgatar o sentido da vida é preencher nossos filhos de presença, de cuidado, de amor! No final, é tudo o que fica e é o que de fato se leva para a eternidade!



Postura facilitadora para as reflexões deste texto:


Estou disposta a falar e a me doar para ensinar para a minha criança tudo o que ela precisa aprender!

Se aos 7 ou 8 anos ainda é cedo para falar sobre sexualidade, aos 10 já é tarde! :/


As crianças crescem rápido. Por volta dos 7 anos começam as inevitáveis histórias de “pequenos romances” entre os amiguinhos. Nada a ser incentivado, apenas observado e naturalmente desconstruído porque criança não deve jamais ser estimulada a ter “namorado”. Pode sim gostar do amigo ou da amiga, pois o ideal é que todas as pessoas se gostem e se respeitem de uma maneira simples, saudável e natural. Mas ter namorado é coisa de adulto e isso precisa ficar sempre muito claro!


Mesmo com um grande cuidado em esclarecê-las, o interesse por um amigo ou amiga acaba surgindo. Surge, também, uma pequena timidez. Às vezes “o assunto” gera certo desconforto, que pode virar choro ou motivo de risos. O fato é que estamos diante de um momento único e de extrema importância. É o nosso melhor momento para agir, pois ainda temos controle sobre seus passos.


Filhos exigem atenção, sempre! Mas algo muda com o tempo. Enquanto bebês, o cuidado é integral. Conforme crescem, “parece” que a demanda diminui. Ficam independentes e passam a ter interesses que geram uma espécie de “distância”. Surgem segredinhos. A cumplicidade entre as amigas ou amigos aumenta. Ainda se chateiam, choram e têm comportamentos infantilizados, mas já são mais pré-adolescentes do que bebês. Isso fica cada dia mais evidente!


Se estivermos atentas à nossa criança, o “segredinho descoberto” vira um excelente tema para uma conversa que explore consciência. Se o nosso real desejo é contribuir com o desenvolvimento daquela pessoa em formação, descobrimos filmes incríveis para ver com ela. Podemos chorar, rir, conversar a respeito. Quando manifestamos emoções e mostramos o que sentimos, aproximamos nossos corações e fortalecemos nossa cumplicidade. Se nos importamos com sua fase de descoberta, trazemos livros ou histórias que contribuam para o seu aprimoramento. E todo o trabalho que isso tudo nos dá se confunde com um enorme prazer. O prazer de estarmos nos doando à construção de um ser humano que está sob nossa integral responsabilidade.


Muitas mães não foram ensinadas a se doar, mas pelos filhos, aprenderam! Aprenderam sozinhas! Estamos falando de mães que fizeram essa escolha, ok? Que olham para eles e enxergam suas necessidades. Sentem seu cheiro. Abraçam, conhecem os detalhes do seu corpo, já maiorzinho. Percebem uma marca roxa de pancada e geram na sua criança um natural e inexplicável sentimento “de pertencer a alguém que se importa”.


Pertencer a alguém que se importa com você de verdade é mágico e não tem preço! Isso transforma a vida de uma criança para sempre e para muito melhor.


E é assim que se ensina a ser mãe e pai. E é preenchendo os nossos filhos desse olhar amoroso e cuidadoso que teremos autoridade para exigir que se amem e se respeitem. E teremos abertura para falar sobre a tão delicada pauta da sexualidade que os fortalecerá sob todos os aspectos.


Cada rotina é muito peculiar. O que acontece na casa de cada pessoa pertence a quem ali habita. Estamos falando de coisas boas, simples e comuns: como a mesa é posta para as refeições, como a cama é arrumada para a hora de dormir, quem penteia o cabelo e confere a escovação dos dentes,... Dia-a-dia! Onde TUDO acontece!!!


Eis que de um acontecimento natural surge uma incrível oportunidade...


O assunto era “bafinho”, aquele cheiro nem tão agradável assim que sentimos no hálito de alguém. Surgiu esse assunto no colégio, entre os amigos, e falamos mais tarde em casa:


- Filha, a gente normalmente tem “bafinho” quando fica muito tempo sem comer, quando come alguma coisa forte, como alho ou cebola, e quando não escova os dentes direito. Em alguns momentos, a gente pode ter um hálito que desagrade outras pessoas. Isso é normal, desde que seja só de vez em quando! Você nunca sentiu nos seus amigos?

- Já! Tem uma menina que prendo a respiração pra conversar.

- É o cheiro dela! Às vezes nem é “mau hálito”, é apenas um cheiro que não deu muito certo com você!

[A conversa tinha praticamente acabado. Ia ficar nisso. Estávamos em silêncio. Mas algo me disse para continuar...]

- Filha, você sabia que as pessoas têm gosto?

- Gosto de quê?

- Esse cheiro que você sente na sua amiga e prende a respiração, tem a ver com o gosto dela. Isso também acontece com os meninos. Quando você crescer e for beijar, sentirá o gosto do menino.

[Observei as sobrancelhas dela levantando. Dei um tempinho e continuei...]

- Mas antes do gosto, você sentirá o cheiro dele. E se não te agradar, significa que você não deve continuar.

- Continuar e beijar?

- É!

- Hum! [Novamente as sobrancelhas manifestando uma reação de surpresa e interesse]

- E se você sentir nojo, PARE! Porque é o seu corpo dizendo NÃO. E você precisa respeitar.

- Credo!

- Só não vale enganar o corpo, heim?

- Como, mãe?

- Bebendo! Porque a bebida faz você se enganar. Você se trai porque o gosto da pessoa muda e não dá pra saber como é de verdade.


Os desdobros dessa conversa [com uma menina de 7 anos, em 2018] virão com o interesse dela e o meu esforço em introduzir assuntos importantes com o cuidado que a fase requer.


As oportunidades sempre surgem! SEMPRE! Crianças estão atentas o tempo inteiro! Ouvem, percebem e registram tudo o que se passa ao redor. E não dá outra: quando menos se espera, o comentário vem, a dúvida surge e a situação aflora. Adiar pode ser uma saída rápida, mas nada construtiva. Explorar, dedicar aquele tempo, se superar na árdua missão de falar de assuntos delicados é, sem dúvida, desempenhar lindamente seu papel de mãe.


Talvez a conversa que descrevi não faça muito sentido para você que lê. Mas preciso dizer que para quem viveu a experiência foi muito relevante! Falamos de algo profundo, necessário e esclarecedor. É o começo de uma grande descoberta para ela. Há muito por ser dito por mim e confidenciado entre nós.


O gosto das pessoas, quando em contato conosco através do beijo, faz nosso corpo reagir quimicamente. Aquela expressão “deu química”, é química mesmo! Tudo o que entra em contato com a gente [saliva – estamos falando de beijo – suor, sêmen e outras coisas também, até cheiro e toque] se comunica com o que está em nós, reage quimicamente e manda mensagem para o cérebro que faz surgir sinais de “prossiga” ou “pare agora com isso porque não tem nada a ver com você”.


Quais são os sinais de “prossiga”? O tempo para, as pupilas dilatam, surgem arrepios, as pernas amolecem e o coração bate muito, mas muito forte mesmo! E quando termina, a felicidade inunda todos os nossos pedacinhos. Dá vontade de gritar, chorar, rir, pular, tudo ao mesmo tempo [fazemos isso quando ficamos sozinhas – quem nunca?]. E passamos horas, dias, semanas lembrando e revivendo cada detalhe daquele beijo incrível, cheiroso, delicioso!


Quais os sinais de “pare agora com isso porque não tem nada a ver com você”? O primeiro: NOJO. Logo depois: vazio. Nos dias seguintes: sensação de “nada mudou” e “vida que segue”. Agora, se durante o beijo você se perceber pensando “o que será que ele comeu que tá esse gosto estranho?” é a prova mais inquestionável de que NÃO TEM NADA A VER COM VOCÊ. Se tivesse, você estaria sentindo as coisas incríveis do parágrafo anterior, não teria condições de ficar pensando essas coisas, muito menos sentindo qualquer gosto estranho!


Insistir “nessa coisa estranha” é um erro. Se nem o beijo “deu liga”, o que esperar da relação sexual com aquela pessoa? Seu corpo já avisou que não será bom! [Se liga!]


E é proporcionando esse tipo de reflexão à sua criança, no tempo dela, que você a estará ensinando a se doar. Sim, porque quando uma mulher se entrega, ela se doa, doa a sua energia, o seu amor! Quando um homem vai para uma relação sexual, ele também se doa. Doa seu sêmen, carregado de um poderoso material genético capaz de gerar uma vida. E mais... ele confia que aquela mulher o fará sentir coisas incríveis. Deveria mesmo ser assim! Pessoas adultas, bem informadas, conscientes de si, que fazem escolhas da forma mais linda e pura para estabelecer trocas que preencherão suas almas! E uma vez que se encontrem, passam a contribuir com a melhora do outro. E enquanto convivem, escolhem ficar mais um dia, e outro, e outro, exercitando o respeito, o carinho e a cumplicidade, sempre fortalecidos por relações sexuais nutridoras.


É essa leveza que sua criança merece receber [aos poucos e sempre]! É essa compreensão amorosa que a conduzirá à integridade e formará um ser humano enriquecido para manifestações sexuais saudáveis. Não há espaço para carências e relações adoecidas quando o que se aprende, enquanto criança, é a manifestação mais pura de amor!


Quando uma criança é nutrida de afeto materno, ela descobre o que é bom nessa vida e desenvolve o amor-próprio. Conforme for crescendo, sendo amada e se amando, não aceitará nada que chegue “meia boca”: cheiro desagradável, beijo ruim, toque desconfortável, abordagem grosseira e todas as situações estranhas que podem representar uma cilada.


Não trouxemos filhos ao mundo para sofrer. Trouxemos para que tenham uma vida plena. Então, façamos o que nos cabe! Ensinemos a essas crianças a verdadeira sexualidade, a parte sagrada que, até hoje, não nos tinha sido apresentada.


Se você já a conhece, te reverencio!


Se ainda não a conhece, ela te aguarda!


Permita-se!


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